Sérgio Moro diz que Kim Kataguiri cometeu ‘erro brutal’ em fala sobre nazismo, mas que ‘não reflete o que ele pensa’

O ex-juiz e ex-ministro Sérgio Moro (Podemos), pré-candidato à presidência da república, classificou como “gafe verbal” e “erro brutal” a declaração do deputado federal Kim Kataguiri (Podemos) durante um episódio do podcast Flow, no Youtube.

A declaração de Sergio Moro aconteceu durante uma entrevista a uma emissora de TV do Piauí nesta quinta-feira (10), durante visita do pré-candidato a Teresina.

Sérgio Moro em coletiva com a imprensa na visita a Teresina  — Foto: Lucas Marreiros/g1 Piauí

Sérgio Moro em coletiva com a imprensa na visita a Teresina — Foto: Lucas Marreiros/g1 Piauí

“E isso tem que perguntar para ele. Ele já pediu desculpas. Eu acho que ele se equivocou profundamente em relação a essa fala e ele já pediu as escusas, pediu as desculpas a todas as pessoas, como tem que ser. Agora, ele tem um histórico como parlamentar. Não vamos apagar esse histórico porque ele cometeu esse erro brutal… Mas não reflete o que ele pensa, foi uma gafe verbal”, disse Sérgio Moro.

 

Apologia ao nazismo

 

O influenciador e apresentador do Flow Podcast Bruno Aiub, conhecido como Monark, disse durante um episódio realizado na última segunda-feira (7) que defende a existência de um partido nazista no Brasil. O episódio foi retirado do ar e o influencer foi desligado do canal.

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Durante o mesmo programa, o deputado Kim Kataguiri (Podemos) questionado pela deputada Tabata Amaral (PSB-SP) no podcast, afirmou considerar que a Alemanha errou ao ter criminalizado o partido nazista.

  • Tabata: “Kim, você acha que é errado a Alemanha ter criminalizado o nazismo?”
  • Kim: “acho!”

 

Monark é desligado do Flow Podcast após fala sobre nazismo — Foto: Divulgação

Monark é desligado do Flow Podcast após fala sobre nazismo — Foto: Divulgação

O procurador-geral da República, Augusto Aras, determinou nesta terça-feira (8) a abertura de uma investigação sobre suposto crime de apologia do nazismo praticado pelo deputado federal Kim Kataguiri (DEM-SP) e pelo podcaster e influencer Monark.

Segundo a PGR, o caso será analisado pela assessoria criminal de Aras porque Kim Kataguiri, como deputado federal, tem foro privilegiado no Supremo Tribunal Federal (STF).

Deputado contesta

 

Monark e Kim Kataguiri — Foto: Reprodução/YouTube/FlowPodcast; Marina Ramos/Câmara dos Deputados

Monark e Kim Kataguiri — Foto: Reprodução/YouTube/FlowPodcast; Marina Ramos/Câmara dos Deputados

Em nota, Kataguiri criticou o procurador-geral Augusto Aras e afirmou que ele faz “vista grossa para crimes que realmente aconteceram”.

Segundo o deputado, o Aras se omite em casos que envolvem o presidente Jair Bolsonaro e age “rapidamente e com inquestionável cunho político para perseguir minha conduta de oposição ao governo”

“É aterrador que o PGR, que sempre faz vista grossa para crimes que realmente aconteceram tenha agido tão rápido. Quando há claros indícios de crime cometido pelo presidente da República, Augusto Aras nada faz. Porém, diante de uma conduta claramente de mero debate em um podcast, Aras age rapidamente – e com inquestionável cunho político para perseguir minha conduta de oposição ao Governo Bolsonaro. É um contrassenso”, declarou.

Kataguiri afirmou que vai colaborar com as investigações. “Meu discurso foi absolutamente anti-nazista. Não há nada de criminoso em defender que o nazismo seja repudiado com veemência no campo ideológico para que as atrocidades que conhecemos nunca sejam cometidas novamente. Ao contrário das pessoas privilegiadas pela inércia de Aras, nada tenho a esconder”, escreveu.

No material divulgado, a PGR diz que Augusto Aras não pode “se posicionar sobre o caso específico”, mas “reitera posição contra o discurso de ódio já externada em mais de uma oportunidade”.

“Todo discurso de ódio deve ser rejeitado com a deflagração permanente de campanhas de respeito a diversidade como fazemos no Ministério Público brasileiro para que a tolerância gere paz e afaste a violência do cotidiano”, declarou Aras na cerimônia de abertura do ano judiciário, há uma semana – a fala foi reforçada pela PGR nesta terça.

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