Análise: pitadas de genialidade de Nenê apimentam atuação sem sal do Vasco

Há duas formas de analisar a vitória do Vasco por 2 a 0 sobre o Bangu, nesta quinta. Se você quiser olhar o copo meio cheio, verá que o time venceu um jogo que se desenhava complicado e encaminhou a vaga para semifinais do Carioca. Se a preferência for pelo copo meio vazio, é possível afirmar que a equipe de Zé Ricardo foi vulnerável defensivamente – apesar de não ter sido vazado –, fez um primeiro tempo muito ruim e teve uma atuação pouco convincente. O que não cabe é interpretação sobre a atuação de Nenê. Esse foi indiscutivelmente decisivo e com pitadas de genialidade.

Com uma assistência de calcanhar e um belo gol de falta, o camisa 10 deu o molho e apimentou um time que jogava um futebol sem graça. Se o Vasco venceu e deixou o campo aplaudido, deve muito a Nenê, artilheiro do Carioca, com cinco gols.

nenê, vasco, esposa — Foto: André Durão

nenê, vasco, esposa — Foto: André Durão

Vaias no primeiro tempo

 

Foi um primeiro tempo franco, mas o Bangu foi melhor. Se o zero não saiu do placar nos primeiros 20 minutos, a culpa foi dos goleiros Paulo Henrique e Thiago Rodrigues e da pontaria dos atacantes. Desde o início o Bangu mostrou que não foi a São Januário se defender e teve duas boas chances de marcar com Nascimento e Roberto Baggio.

Vasco acordou, respondeu, mas encontrou um paredão pelo caminho. Paulo Henrique defendeu três boas finalizações de Nenê, Bruno Nazário e Gabriel Pec. Parecia que o gol do Vasco seria questão de tempo. Mas não foi.

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A Voz da Torcida – João: “Muito trabalho pela frente”

Após a parada técnica, aos 20 minutos, o Bangu voltou para o jogo, e o Vasco não jogou mais. O time do técnico Felipe encontrou espaços, especialmente pela direita da defesa vascaína, onde Cangá e Weverton não se entenderam no primeiro tempo. Anderson Conceição, por diversas vezes, foi obrigado a fazer a cobertura, com botes e carrinhos certeiros.

Com o Bangu no ataque, espaço também surgiram para o Vasco, mas o time não soube aproveitar e voltou a apresentar um problema recorrente. Lento e com muitos erros de passes na transição ofensiva, o time desperdiçou o que poderiam ser bons contra-ataques. Após a parada técnica, o Vasco só chegou em um chute de longe de Juninho. E por isso saiu para o intervalo vaiado e sob os gritos de “Ei, Vasco, vamos jogar”.

Nenê muda a cara do jogo

 

No segundo tempo, a chuva apertou, e o jogo esquentou. Mas foi necessária a genialidade de Nenê para o Vasco acordar. Com um toque de calcanhar, aos 14 minutos, o camisa 10 deixou Raniel na cara do gol para o centroavante desencantar após três partidas. Logo depois, aos 19, Nenê marcou em bela cobrança de falta. Partida decidida.

Raniel engraxa a chuteira de Nenê após a bela assistência de calcanhar que recebeu para marcar o primeiro gol do Vasco — Foto: André Durão

Raniel engraxa a chuteira de Nenê após a bela assistência de calcanhar que recebeu para marcar o primeiro gol do Vasco — Foto: André Durão

Com a vantagem construída em um espaço de cinco minutos, o Vasco ficou na boa. Com ajustes defensivos e sem a necessidade de sair em busca de um gol, o time de Zé Ricardo controlou o jogo e praticamente não passou por mais sustos. Nas poucas vezes que o Bangu chegou no segundo tempo, o goleiro Thiago Rodrigues foi bem. E o Vasco, embora não tenha criado tantas chances, soube aproveitar os espaços deixados pelo adversário, que se lançou ao ataque.

A atuação irregular pode até preocupar para compromissos mais duros que virão pela frente, mas a categoria de Nenê e a vitória que colocou o time próximo à semifinal do Carioca fizeram o torcedor sorrir em São Januário e aplaudir o Vasco no fim do jogo.

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