De Barrios a Deyverson: busca por 9 ideal é antiga no Palmeiras durante a “era Crefisa”; veja lista

A torcida do Palmeiras clama pela contratação de um centroavante que mude o patamar da equipe titular, mas não é de hoje. A busca de um novo camisa 9 tão desejado depois dos pedidos de Abel Ferreira tem sido uma tônica no clube desde antes, com o início da “era Crefisa”, em 2015.

Lucas Barrios foi o primeiro grande investimento, mas ficou longe de corresponder à expectativa. Borja, Deyverson e Luiz Adriano foram outros nomes que custaram alto para o Verdão e tiveram até bons momentos, mas também não deram o retorno esportivo equivalente entre as dezenas de centroavantes escalados no período (veja a lista abaixo).

Centroavantes que passaram pelo Palmeiras durante a "era Crefisa" — Foto: ge

Centroavantes que passaram pelo Palmeiras durante a “era Crefisa” — Foto: ge

Os centroavantes do Palmeiras desde 2015

Nome Período Jogos Gols
Willian 2017-2021 253 66
Deyverson 2017-2019, 2021-2022 141 30
Borja 2017-2019 112 36
Luiz Adriano 2019-2021 106 32
Rafael Marques 2015-2017 93 21
Gabriel Jesus 2015-2016 85 28
Alecsandro 2015-2017 62 14
Cristaldo 2015-2016 57 18
Barrios 2015-2017 45 14
Leandro Pereira 2015, 2016 41 12
Gabriel Silva 2020-2021 27 2
Rafael Elias 2018, 2021 15 2
Arthur Cabral 2019 6 1
Rafael Navarro 2022 5 0
Henrique Dourado 2019 4 0
Newton 2021 4 1
Fabrício 2021 2 0
Matheus Iacovelli 2017 1 0
Aníbal 2020 1 0
Luan Silva 2020 1 0

O grande atacante desta geração multicampeã ainda é Gabriel Jesus, cria das categorias de base. Embora não tenha subido como um centroavante, ele se tornou a referência na temporada do título brasileiro de 2016, quando acabou negociado para o Manchester City, da Inglaterra.

Lucas Barrios no Allianz Parque: o primeiro grande 9 da "era Crefisa" — Foto: Mauro Horita

Lucas Barrios no Allianz Parque: o primeiro grande 9 da “era Crefisa” — Foto: Mauro Horita

Willian é quem mais jogou e mais fez gols na lista, mas apenas em momentos pontuais de sua passagem pelo Palmeiras foi centroavante, como em 2017, justamente porque os jogadores da posição não rendiam. Na maior parte do tempo, o ex-camisa 29 atuava pelos lados do campo.

No começo deste ano, o Verdão conseguiu negociar dois dos centroavantes mais caros e que já estavam fora dos planos: Borja foi vendido para o Junior Barranquilla, da Colômbia, enquanto Luiz Adriano chegou a um acordo para rescindir o contrato válido antes até junho de 2023. Ele hoje está no Antalyaspor, da Turquia.

Borja durante treino do Palmeiras na Academia de Futebol — Foto: Cesar Greco

Estes altos gastos em jogadores que não corresponderam recentemente entram também na discussão ao se buscar mais um centroavante para disputar posição com Deyverson (com contrato apenas até o meio do ano) e Rafael Navarro. Com dificuldades no fluxo de caixa, o Verdão só vai contratar um centroavante caso encontre uma boa oportunidade de mercado.

Barrios e Luiz Adriano, por exemplo, tinham salários que passavam de R$ 1 milhão por mês, enquanto Borja custou ao todo mais de R$ 40 milhões ao Verdão.

Luiz Adriano deixou o Palmeiras em baixa — Foto: Fernando Alves/AGIF

No caso do colombiano, o clube terá de ressarcir o investimento feito pela Crefisa em sua contratação, assim como Deyverson, que também chegou em 2017 com aporte da patrocinadora. O camisa 16, que ainda hoje está no elenco, não deve ter seu contrato renovado.

Antes do Mundial, o clube sondou opções como Valentín Castellanos, Yuri Alberto e Kaio Jorge. O grande alvo, porém, foi Lucas Alario, do Bayer Leverkusen.

O Verdão chegou a entrar em um acordo com o centroavante argentino, mas o Bayer decidiu encerrar as conversas por empréstimo. As partes até discutiram a possibilidade de uma venda, mas os valores estavam acima daquilo que o Palmeiras poderia fazer sem comprometer sua saúde financeira.

A janela de transferências no Brasil fica aberta até o dia 12 de abril, e Abel Ferreira tem diminuído a expectativa por novas contratações.

Deyverson, Rony e Navarro são as principais opções para o ataque do Verdão hoje — Foto: Cesar Greco

– Não compramos jogadores feitos. Temos uma grande equipe, construída por nós, quando cheguei os jogadores eram os mesmos. Temos de fazer os jogadores aqui dentro, é isto que o Palmeiras quer e este é o futuro do Palmeiras. Quando fui contratado me falaram que minha tarefa era ganhar títulos, por isso estou aqui, e poder desenvolver o potencial dos jogadores – afirmou Abel, no sábado.

Desde a saída de Borja, no fim de 2019, a camisa 9 foi utilizada por Luan Silva em 2020, mas o jovem atacante a vestiu apenas em uma partida, contra a Ferroviária, sofreu uma lesão e não atuou mais.

Na Libertadores de 2021, por conta da obrigatoriedade de preencher o número, o Verdão inicialmente colocou Erick Pluas, então atleta da base, e no mata-mata fez a troca na inscrição por Deyverson. Ele marcou em cima do Flamengo na final em Montevidéu com a 9, mas usa a 16 costumeiramente.

Diante da ausência de um definidor, o português tem buscado soluções dentro do elenco. A primeira delas foi adaptar Rony como centroavante usando sua velocidade, mas o técnico começou a testar no fim de semana um novo estilo, com o atacante aberto pela esquerda fazendo movimentos para dentro, enquanto Raphael Veiga ocupa a função de falso 9 sem bola.

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