‘Uma declaração de guerra’, diz professor sobre reconhecimento de regiões separatistas por Putin

O professor de Relações Internacionais da FAAP Carlos Gustavo Poggio, em entrevista para a Globonews nesta terça-feira (22), comentou que a ação de Putin em reconhecer regiões separatistas da Ucrânia faz parte de um plano estratégico maior.

“A declaração que ele fez ontem, eu interpreto aquilo como uma declaração de guerra, porque basicamente ele negou o direito da Ucrânia em existir como um estado independente”, disse o professor.

 

Poggio disse também que não é uma ação isolada, é um plano que vem sendo colocado em prática desde 2008 quando ele invadiu a Georgia. Para o professor, o grande objetivo do Putin é rediscutir a arquitetura de segurança de todo o continente europeu.

De acordo com a análise do professor, a Ucrânia tem o maior exército da Europa e não vai ser tarefa fácil para a Rússia fazer a anexação do país. No entanto, Poggio acredita que Putin tenha feito os cálculos de que é melhor atacar agora do que esperar a Ucrânia se armar mais.

Ocidente enfraquecido

 

Putin demonstra seu desconforto em relação as fronteiras da Otan desde 2007, quando ele deixou isso claro em uma conferência em Munique.

“Então essa questão da Otan não surgiu agora. Ele vem falando disso desde quando a OTAN começou a incorporar os países bálticos, Estônia, Letônia e Lituânia, que fazem fronteira com a Rússia, ou seja, a Otan já faz fronteira com a Rússia”, explica Poggio.

 

Na avaliação do professor, Putin só tomou agora essa decisão porque ele se sente mais fortalecido. Parte importante desse sentimento foi a aliança informal que ele fez com a China. “Um dos atos do Putin antes de fazer a invasão foi se encontrar com Xi Jinping”, diz.

Atualmente a Rússia interpreta o ocidente como enfraquecido, que impões sanções fracas, os Estados Unidos com problemas internos e a Europa sem poder de responder a um ataque, analisa o professor.

Essa leitura de Putin é que a configuração internacional é distinta dos anos 90, quando os Estados Unidos estavam muito poderosos, a Europa se unindo. Enquanto do outro lado a Rússia estava com problemas econômicos bastante graves e a China com a metade do PIB brasileiro, explica Poggio.

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