Bolsonaro tenta contornar crise com Republicanos, mas presidente da sigla adia encontro no Planalto

Na tentativa de contornar a crise com o partido Republicanos, o presidente Jair Bolsonaro tentou nesta quarta-feira (23), por duas vezes, se encontrar com o presidente da sigla, deputado Marcos Pereira (SP), para conversar. No entanto, Pereira disse que não seria possível.

A irritação do Republicanos com o governo chegou aos ouvidos de Bolsonaro nesta terça-feira (23). O senador Flávio Bolsonaro, do PL, e o ministro da Cidadania, João Roma, do Republicanos, foram os mensageiros. Eles estiveram na semana passada com Pereira e ouviram dele queixas sobre a atuação do Planalto às vésperas da janela partidária.

Pereira avalia que o presidente tem atuado no sentido de dissuadir deputados e ministros a se filiarem ao Republicanos e até mesmo de estimular três parlamentares a deixarem o partido e irem para o PL.

Nesta quarta-feira (23), o presidente do Republicanos disse que Bolsonaro “só atrapalhou” nas articulações da sigla por novos filiados na chamada “janela partidária” — período, que vai de 3 de março a 1º de abril, no qual a Justiça Eleitoral autoriza a troca de siglas sem que os parlamentares percam o mandato.

O ministro da cidadania, João Roma, ainda tentou intermediar o encontro entre Bolsonaro e Pereira nesta quarta-feira (24), mas não obteve sucesso. A conversa deve ficar para depois do carnaval.

Nesta terça-feira (23), enquanto estava com Bolsonaro e Flávio, João Roma colocou o presidente na linha com Marcos Pereira. Bolsonaro convidou o presidente do Republicanos para acompanhá-lo num voo a São Paulo nesta quinta-feira (24). No entanto, Pereira disse que estaria numa agenda em outra região do estado.

Apoio nas eleições

 

A irritação do presidente do Republicanos encontra respaldo na bancada do partido na Câmara dos Deputados, onde cresce a defesa da neutralidade do partido durante as eleições, o que significaria não apoiar ninguém oficialmente, ou seja, não entregar o tempo de televisão do partido a nenhum candidato.

A possibilidade de divisão dentro da tríade do centrão — Progressistas, PL e Republicanos — que forma a base do governo preocupa Bolsonaro.

Nesta quarta-feira (23), o ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira, disse acreditar que o Republicanos estará com o presidente.

“Está tranquilo e com diálogo vai ser resolvido. Não tenha dúvida de que Republicanos vai estar com presidente”, afirmou o ministro.

Nos bastidores, a avaliação é que a resposta do Republicanos só será dada em abril, quando terminar o prazo de desincompatibilização.

Se o partido indicar outro ministro para o lugar de João Roma, que deve deixar a Esplanada para concorrer na Bahia, significa que estará com o presidente na tentativa de reeleição. Se decidir não indicar um novo ministro, será um recado claro de que o partido optou pela neutralidade.

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