Ibovespa opera entre perdas e ganhos, com Petrobras em alta após tombo

Correção de commodities metálicas faz Ibovespa operar instável

Plataforma P-51 da Petrobras

Após sessão marcada por duras quedas, os mercados acionários globais e o Ibovespa buscam recuperação parcial nesta terça-feira (8), ainda de olho nos desdobramentos do conflito entre Rússia e Ucrânia. Localmente, investidores também olham para a discussão envolvendo possível suspensão temporária dos reajustes dos combustíveis, o que deve seguir impactando os papéis da Petrobras.

Por enquanto, a recuperação do Ibovespa nos primeiros negócios desta terça-feira foi limitada por um movimento de correção dos papéis ligados às commodities metálicas.

Às 11h30, o Ibovespa chegou a perder 0,27%, aos 111.294 pontos, passando a ceder 0,08% às 11h50. No mesmo horário, o S&P 500 avançava 0,24% e o Stoxx 600 recuperava 0,20%.

Entre as maiores quedas do índice, Vale ON, que avança mais de 33% no ano, cedia 2,60%. CSN ON recuava 1,62% e Usiminas PNA e Gerdau PN tinham oscilação negativa de 0,20% e 0,66%.

Entre as altas do Ibovespa, Gol PN recuperava 5,21% e Azul PN melhorava 5,42% depois do derretimento da sessão anterior. Entre as petroleiras, PetroRio ON ganhava 5,41%, 3R Petroleum ON melhorava 3,13% e os papéis ordinários e preferenciais da Petrobras recuperavam 1,32% e 1,95% enquanto o governo discute formas de limitar a alta nos preços dos combustíveis.

No mais recente desenvolvimento da crise geopolítica e em meio à possibilidade de sanções ao petróleo russo, o vice-premiê da Rússia, Alexander Novak, disse ontem que o país tem “todo o direito” de impor um embargo ao bombeamento de gás natural para a Europa através do gasoduto Nord Stream 1, diante do que chamou de “acusações infundadas” contra a Rússia sobre a crise de energia na Europa e ao bloqueio ao Nord Stream 2. Até o momento, no entanto, ele afirmou que a Rússia não tomou tal decisão.

“Acreditamos que uma proibição completa das importações de energia russa faria com que os preços do petróleo bruto Brent e do gás natural europeu subissem para US$ 160 por barril e 300 euros/MWh no curto prazo [respectivamente] e se estabelecessem em níveis ainda muito altos no próximo ano”, escreve a economista-chefe para commodities da Capital Economics, Caroline Bain, em relatório publicado na segunda-feira.

“A economia russa se contrairia em até 25%, fazendo com que os riscos de inadimplência soberanos e corporativos se cristalizassem. A inflação nas economias avançadas terminaria o ano em torno de 5%, contra os 2,4% que prevíamos antes da invasão, e os efeitos da queda do poder de compra das famílias e do racionamento de energia na Europa levariam a zona do euro à recessão”, emenda ela.

No governo Jair Bolsonaro, a ideia de suspensão temporária dos reajustes dos combustíveis apenas durante o conflito ganhou adeptos, relata o Valor. Por parte da equipe econômica, é a primeira vez desde a campanha eleitoral de 2018, quando foi prometido um choque de liberalismo no país, que se admite mudança na fórmula de preços da Petrobras como alternativa para conter o aumento dos combustíveis diante da disparada do petróleo.

Com a guerra dificultando a chegada de insumos e elevando o preço do petróleo, o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), defendeu ontem ao Valor a adoção de medidas que contenham a alta do combustível e a aprovação de um projeto que evite que o Brasil enfrente um desabastecimento de fertilizantes no futuro. Nesse sentido, Lira demonstrou simpatia à criação de um subsídio temporário que impeça a alta dos combustíveis.

“Acho que todo mundo de bom senso sabe que não dá para passar para o consumidor um aumento de [US$] 80 para [US$] 140 do barril do petróleo”, afirmou Lira. “O mundo tem que se defender do que está acontecendo com a guerra. [O aumento é] Especulação pura”, completou. Segundo Lira, há conversas entre o governo e o Congresso, mas ainda não está definido o que será feito. “Os investidores temem que eventuais alterações afetem a rentabilidade da Petrobras”, notam analistas do Safra.

No noticiário corporativo, a Vale informou que a Estrada de Ferro Carajás, em Bom Jesus das Selvas (MA), está com a circulação de trens temporariamente suspensa, devido a um incidente provocado por fortes chuvas. Segundo a companhia, não houve vítimas e o local afetado passa por avaliação. As operações de mina e porto seguem normalmente por meio de gerenciamento de estoques.

 

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