Rap, violência, racismo e futebol: conheça a caminhada de Robert Renan, nova joia do Corinthians

O nome Robert Renan é uma junção de Roberto com Renata, nomes dos pais do zagueiro que fará sua estreia pelo Corinthians nesta noite de quarta-feira, contra a Portuguesa-RJ, em Londrina, às 21h30 (de Brasília), no primeiro duelo da terceira fase da Copa do Brasil.

Natural de Ceilândia, região mais populosa e uma das mais violentas do Distrito Federal, o zagueiro de 18 anos tem muito dos pais em sua formação como indivíduo.

Envolvidos em ONGs e movimentos sociais, eles desde cedo mostraram ao jovem negro que sonhava em ser jogador de futebol a importância de discussões sobre lutas sociais e, especificamente, contra o extermínio de jovens de comunidades

Há cinco anos, ele e outros dois garotos que jogavam futsal numa escolinha do Santos-DF gravaram um vídeo pedindo pelo fim de uma guerra entre gangues na Expansão do Setor O, em Ceilândia. A gravação aconteceu após a morte de um garoto e o cancelamento dos treinos da equipe.

– Nós concordamos em acabar essa guerra, somos da escolinha do Santos, seremos profissionais em nome de Jesus e vamos melhorar a quebrada – disse o garoto, aos 13 anos, na gravação.

Hoje, mesmo jovem, o jogador dá apoio e visibilidade a um projeto de nome Expansão Futebol Academy, uma escolinha que atende cerca de 100 jovens em seu bairro.

Robert Renan, hoje no Corinthians, pede fim de violência em Ceilândia

Conhecido como Preto Beto, o pai do jogador é formado em Psicologia e atua também como rapper em projetos. A música, as cenas de violência e o racismo, segundo o pai, influenciam a visão de mundo do garoto, hoje uma aposta do badalado Corinthians.

– O negócio dele sempre foi jogar bola, mas Robert tem compreensão das lutas sociais. Muitos jovens são assassinados entre os 17 e 30 anos e ele sempre se colocou contra. Robert perdeu um amigo na beira de campo por troca de tiros de gangue. Cristian, esse amigo, foi morto por engano, assassinado na frente dele. Lembro que me ligou dizendo: “Pai, não consigo nem andar”.

– Ele vivenciou tudo o que o jovem de periferia passa. Aos 11 anos, estava comendo uma banana antes de um treino e sofreu racismo em sua primeira abordagem policial: “Larga essa banana, macaco”. A gente conversava muito com ele, e hoje ele tem esse entendimento humano das coisas – relata o pai do zagueiro.

A caminhada no futebol teve início nas escolinhas do Distrito Federal. Aos 11 anos, fez testes em clubes como Desportivo Brasil, Atlético-MG e Athletico-PR.

Aos 13, foi levado a um clube mineiro de nome Novos Horizontes, de estrutura precária. Foi quando conseguiu se destacar ainda como lateral-esquerdo e foi levado ao Novorizontino, clube do interior de São Paulo que tinha parceria com os mineiros. Dali ao Corinthians foi um passo.

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