Mano à obra: entenda as tarefas do novo treinador para fortalecer o Inter

A manhã desta quinta-feira sacramentará o início dos trabalhos de Mano Menezes à frente do Inter. Em treino no CT do Parque Gigante, o novo técnico começará a esboçar as ideias, mas também acertar questões que deixaram a desejar sob o comando de Alexander Medina.

Antes de sua apresentação, na quarta, o treinador apenas observou a atividade, que foi orientada pelo auxiliar Cauan de Almeida. O objetivo imediato é montar uma equipe equilibrada, que consiga atacar sem ficar exposta.

– Acho saudável buscar uma identidade. Nada mais é do que a maneira que o torcedor, a razão principal do clube, quer ver o time jogar. Precisamos saber construir o caminho para chegar aonde queremos. Mas não é tão fácil, da noite para o dia. O Inter busca construir a estrutura que dê sustentação ao trabalho por uma filosofia – exclamou Mano.

Em suas primeiras palavras, o técnico evitou aprofundar nomenclatura ou mesmo o esquema que adotará no Colorado. Deixou claro que não adianta vir com uma ideia fixa sem respeitar as características do grupo. Ao esmiuçar o que tem no vestiário, implantará a forma de atuar.

Entretanto, enfrenta um obstáculo: o tempo. No sábado, estreia contra o Fluminense, no Maracanã, pela terceira rodada do Brasileirão. No dia seguinte, a delegação vai direto para a Colômbia, onde enfrenta o Independiente Medellín na próxima terça.

Ciente do cenário, Mano Menezes trata com cautela o formato e pelo que o clube lutará. O fundamental é aproveitar as virtudes dos jogadores para conquistar bons resultados que instaurem a tranquilidade após os problemas ao longo da “era Medina”.

– Eu estou aqui porque o Inter enfrentou dificuldades, senão estaria Medina. Não acredito que uma direção contrate um técnico para demitir. No Brasil, é impossível dizer como será o Brasileirão. Começa a definir pela 10ª rodada. Queremos fazer parte da turma da frente e acreditamos ter potencial. É hora de resolvermos nosso problema rápido – comentou o treinador.

Equilíbrio e defesa

O elogio feito pelo comandante à postura dos jogadores na vitória sobre o Fortaleza, no último domingo, não impede que determinados pensamentos sejam aplicados. Cacique tinha como conceito um modelo ofensivo. Mano é mais conservador. A força ao avançar precisa ser idêntica quando defende.

– Penso futebol de forma bem completa. Não conheço times vencedores que se comportem só de forma reativa ou ofensivamente. Às vezes, o adversário está melhor e precisa ter outro tipo de solução. Futebol, para mim, é tudo isso – ressaltou.

Ao longo do trabalho do uruguaio, chamou atenção a fragilidade defensiva. Passados 18 jogos, o Inter já levou 21 gols, o que dá uma média de 1,16 por partida. Os erros atrás ocorreram por cima e por baixo, com falhas individuais ou coletivas.

Mano já avisou que manterá quatro defensores em seu sistema. A maneira como iniciará as jogadas será com três jogadores para buscar encontrar espaço e avançar.

– A maioria das equipes inicia com uma linha de três, mas não quer dizer três zagueiros. Minha ideia é fazer uma saída de três quando for construir a jogada, com dois centrais e um lateral, seja da direita ou da esquerda. Respeitarei a característica dos jogadores para tentar tirar o melhor de cada um – analisou.

Edenilson, Taison e o coletivo

Mano Menezes não terá um esquema que favoreça determinado jogador. A ideia é explorar o grupo para que o Inter apresente um padrão sólido e facilite a evolução do conjunto.

– Quando uma equipe não tem desempenho, não tem jogador que esteja bem. Os treinadores sempre defendem que o mais importante é a parte coletiva. Com isto bem, naturalmente os jogadores sobressaem, e o torcedor não pega no pé de quase ninguém – resumiu o treinador.

O equilíbrio do conjunto também passa pelos movimentos ofensivos, o que reflete nos desempenhos de duas das principais peças do plantel. Edenilson e Taison ainda não deslancharam na temporada

Com Medina, o camisa 8, embora tenha sido utilizado em diversas funções do setor de criação, atuou primordialmente centralizado na trinca de meias.

Taison, por sua vez, esteve posicionado como ponta-esquerdo no final da passagem do charrua pelo Beira-Rio. A expectativa é que volte a atuar centralizado para organizar a equipe e municiar os companheiros.

Vou procurar tirar o melhor de cada um dentro das características. A situação do Edenilson o levou à Seleção. Isso é um indicativo forte que um treinador com experiência como eu respeitará.
— Mano Menezes

– Já vimos muitos jogadores que iniciaram na extrema e ao longo da carreira centralizaram mais. De jogadores de beirada se exige mais potência, agilidade. É a realidade do momento e procurarei levar em consideração – reforçou Mano.

A partir do exercício desta quinta, o treinador tratará de explicar ao grupo o que entende como importante e corrigir situações. A atividade ocorre pela parte da manhã. No sábado, há o primeiro teste para ver se o tempo já o permitiu apresentar evolução. O duelo com o Fluminense ocorre às 19h, no Maracanã.

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