Erros simples podem reter Imposto de Renda e virar dor de cabeça para contribuintes

Seja por inexperiência ou desatenção, muitas pessoas podem cometer erros no momento de preencher a declaração do  (Imposto de Renda de Pessoa Física) e cair na malha fina. Muitos deles, inclusive, não impedem a gravação para entrega da declaração para a Receita Federal.

O CRC-MS (Conselho Regional de Contabilidade de Mato Grosso do Sul) listou os erros mais frequentes cometidos pelos contribuintes — principalmente aqueles que preenchem por conta própria, sem auxílio profissional.

Confira quais são eles e como não cometê-los.

Digitar valores de forma incorreta

Algumas pessoas podem digitar incorretamente os valores ou com mais de duas casas decimais. Conforme o CRC, o programa do IRPF não considera o ponto como separador de centavos. Por exemplo, se o valor digitado for 1234.56, o sistema vai considerar R$ 123.456,00.

Porém, caso não seja digitado nada após o ponto, o software considera como vírgula, ou seja, ‘789.’ será transformado em ‘R$ 789,00’.

Não informar CNPJ das fontes pagadoras

Essa informação deve ser colocada no campo correto e não pode ser deixada de lado na hora de declarar o Imposto de Renda. Se esse dado não for informado ou o CNPJ da fonte pagadora estiver inválido, a declaração não será gravada.

Não relacionar todos os rendimentos tributáveis

Neste caso, o contribuinte fica sujeito a cair na malha fina, então é preciso muita atenção. Muitos deixam de informar rendimentos como proventos de  e os recebidos em ações trabalhistas, que também devem ser relacionados no Imposto de Renda.

Receber rendimentos de vários pagadores sem declarar todos os valores

Também com risco de ficar retido na malha fina, o contributário deve informar todos os rendimentos tributáveis, ainda que não tenham sofrido retenção pela fonte pagadora.

Declarar valores diferentes

Os valores informados na declaração do Imposto de Renda devem ser os mesmos informados pela fontes pagadoras. O CRC ressalta que não se deve subtrair os rendimentos isentos dos rendimentos tributáveis.

Por exemplo, o imposto retido na fonte sobre o 13º salário não deve ser somado ao imposto retido na fonte referente aos rendimentos tributáveis.

O órgão recomenda que, caso o contribuinte esteja convencido de que as informações contidas no comprovante de rendimentos estejam incorretas, deve ser feita a solicitação de um  comprovante à fonte pagadora, com a retificação das informações prestadas à Receita Federal.

Informar rendimentos isentos superior ao limite

Este caso é específico para contribuintes com mais de 65 anos que declaram o Imposto de Renda. Para este grupo, a parcela isenta mensal está limitada ao valor de R$ 1.903,98, independente de uma ou mais aposentadorias, pensões e/ou reforma. Todo valor excedente deve ser informado como rendimento tributável.

O limite da parcela isenta do campo “Valor” é calculado pelo programa e os valores excedentes serão transferidos para a ficha “Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoa Jurídica”, caso responda “Sim” à pergunta de transferências de ficha.

Declarar prêmios de loterias em campos errados

Esses prêmios estão sujeitos à tributação exclusiva, devendo ser informados na ficha “Rendimentos Sujeitos à Tributação Exclusiva/Definitiva”. Porém, o imposto retido na fonte sobre tais rendimentos não é passível de restituição.

Informar incorretamente rendimentos de Fapi e Previdência Privada

Os valores recebidos de Fapi (Fundos de Aposentadoria Programada Individual) devem ser informados no Imposto de Renda pelo seu montante integral, como rendimentos tributáveis, sem direito à parcela isenta.

Já os recebidos de previdência privada devem ser informados pelo seu montante integral, como rendimentos tributáveis, mas observando os casos de isenção previstos na legislação.

Pleitear dedução indevida de doações

Neste item, são dedutíveis as doações efetuadas diretamente aos fundos dos direitos da criança e do adolescente ou idoso, controlados pelos conselhos nacional, estadual ou municipal. Também entram na lista doações ou patrocínios efetuados aos programas de incentivo à cultura, à atividade audiovisual e ao desporto.

Imposto de renda não é bicho de sete cabeças

O Imposto de Renda ainda gera muitas dúvidas nas pessoas, já que são vários detalhes e novas regras são implantadas todos os anos. Este fato faz com que muitos procurem a ajuda profissional.

“Existem também declarações que são bem fáceis de fazer, as pessoas às vezes têm uma única renda, tem poucas despesas, tem poucos bens para declarar então isso torna-se menos complexo”, explica o presidente do CRC-MS, Otacílio Nunes.

“Já as pessoas que fazem aplicações em bolsas, que têm movimentações de bens e valores, como compra e venda de bens móveis e imóveis, aplicações financeiras, mais de uma fonte de renda, isso já começa a gerar uma certa complexidade”, exemplifica o profissional.

Também deixam mais complicada a declaração do IRPF a venda de bens com apuração de ganho de capital, compra e venda de ações em bolsa (Day Trade Swing Trade), possuir criptoativos, declaração conjunta ou separada de cônjuges, por exemplo.

“Reformas de bens imóveis alteram o valor do bem imóvel que é declarado pelo valor histórico de compra”, citou Otacílio.

Caso você se encaixe nesse último perfil, o CRC-MS disponibiliza uma ferramenta para consulta de contadores de MS que têm o registro. Com isso, é possível verificar se o profissional está exercendo a função de forma legal e não ter problemas com seu Imposto de Renda.

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