Amor ao Inter, reencontro com Avaí e fuga do deslumbramento: Alemão vive torcedor em campo

As frases de Alexandre Alemão são emolduradas pelo sorriso. Pudera. Contratado como opção ao comando de ataque do Inter, assumiu o posto de titular no clube do coração com três gols em três jogos seguidos.

O oportunismo para liderar a artilharia o colocou como xodó da torcida. Virou alvo de brincadeiras nas redes sociais. Neste domingo, terá noção do carinho com a ovação de cerca de 30 mil torcedores que estarão no Beira-Rio justamente quando reencontrará o Avaí, seu ex-clube, a partir das 19h, pela quarta rodada do Brasileirão.

Uma mudança e tanto na vida de alguém que, ainda menino, subia na garupa da bicicleta de dona Edvirge Zurawski. A mãe de Alemão, que é diarista, cumpria a rotina do trabalho em duas casas por dia para levar o caçula dos três filhos ao Tupi, de Gaspar, no interior de Santa Catarina, em busca da paixão que o garoto alimentava.

Após passar por equipes de menor expressão e não se firmar no Avaí, acabou emprestado no início do ano ao Novo Hamburgo. O desempenho no Gauchão, quando fez dois gols e contribuiu com três assistências em sete partidas, chamou atenção do Inter. A direção o contratou junto aos catarinenses mesmo com o rompimento de um tendão no pé direito.

A aposta mostra-se acertada. O camisa 35 completa diante do Avaí 44 dias de Colorado. São apenas seis partidas, uma delas como titular. Em 183 minutos, o que representa pouco mais de dois jogos, balançou as redes em três oportunidades. Justamente nos últimos três compromissos.

Eu sempre trabalhei e me dediquei. Atacante vive de gol e em campo é cobrado para isso. Mas imaginar estas duas semanas… Só Deus mesmo!
— Alexandre Alemão

O momento iluminado, claro, reverbera. No vestiário, ouve as brincadeiras dos companheiros, que brotam nas redes sociais. Virou Alemandowski, Haaland dos Pampas, Haalemandowski. Alemão se diverte, mas evita se deslumbrar e assegura a manutenção da entrega para manter a evolução.

Confira trechos da entrevista:

ge – E este carinho da torcida? Você virou o xodó dos colorados.
Alexandre Alemão – Não imaginava este carinho que o torcedor me passa. Foi muito rápido. Estou muito feliz. É sempre bom ter uma fase como esta, mas preciso manter os pés no chão e trabalhar. Domingo temos uma pedreira e precisamos ganhar.

Você começou no Tupi, de Gaspar (SC), e quase largou o futebol. Como foi a carreira?
Morei em Gaspar desde os cinco anos. Comecei no Tupi incentivado pelo meu pai. A mãe também queria me colocar. Ela tinha uma bicicleta e sempre me levava, mesmo no inverno. Ela trabalhava em dois turnos, limpava duas casas por dia. No final da tarde, tinha força para me levar ao treino. Eles fizeram tudo para carregar meu sonho. Sou muito grato a Deus e eles por me darem força até hoje

No começo do ano, você estava no Novo Hamburgo. Passou por clubes menores e hoje está no time do coração.
A partir do gol contra o Fortaleza… Desde quando cheguei, já tive um baque pela estrutura, grandeza. Sempre torci, mas não tinha noção do que era estar aqui. Me surpreendi com a estrutura e apoio. Estou no meu time. Os fisioterapeutas disseram que parecia que eu estava há muito tempo. Quando você está onde ama, se sente em casa. Desde o começo, foi muito tranquilo.

Você está no Inter há menos de dois meses e já passou por momentos importantes…
Contra o Fortaleza, teve a despedida do D’Alessandro. Vi os vídeos do meu gol, repercussão e dava um arrepio. Depois, no Maracanã (gol contra o Fluminense). Eu olho os momentos e me sinto muito feliz.

Você escreveu a última parte da história de D’Alessandro no Inter…
Ele escreveu. Sempre honrou o manto colorado. No último jogo, foi mais importante o D’Ale marcar. Claro que o da vitória foi importante, mas mesmo sem a vitória, teria o gol na última partida dele. Comemorou com a torcida, aquela felicidade dos colorados. Independente do meu gol, ele teria fechado e honrado a carreira dele. Foi abençoado no último jogo com mais um gol

Você faz gol na última partida do D’Alessandro, no Maracanã e na Colômbia (pela Sul-Americana).
Graças a Deus! Eu sempre trabalhei e me dediquei. Atacante vive de gol e em campo é cobrado para isso. Mas imaginar estas duas semanas… Só Deus mesmo!

Haalemandowski, Alemandowski, Haalemão… Como é o nome? A última fez que um alemão fez tanto gol no Brasil foi no 7 a 1.
(Risos) Os caras estão juntando tudo. É Haalemandowski, Haalandão, Alemandowski. Está engraçado. Os caras brincam, fazem estes memes. Eu fico olhando e dando risada. Eles colocam bandinha. Acho muito engraçado, muito fera. Mas fica só nesta resenha. Em campo e no treino, mantenho a alegria, mas preciso ser sério e trabalhar para continuar assim.

Até onde o Alemão pode chegar?
É difícil falar. Sempre treino e busco melhorar. Conforme for a temporada, os próximos jogos, a sequência… Só Deus sabe.

Quantos gols mais o Alemão fará?
Pô (risos)! Vou jogo a jogo. Preciso focar. Tenho que buscar ajudar e fazer gols. Jogaremos contra o Avaí. É importante o Inter ganhar. Quero fazer o gol toda hora, mas o fundamental é ajudar.

Que foto você pretende ver no fim da temporada?
Se Deus quiser, comemorando um título. Quem sabe o Brasileirão, a Sul-Americana… Estamos em uma boa sequência, trabalhamos bem. Temos que manter os pés no chão e trabalhar. Quem sabe, levantamos uma taça.

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